Cessão onerosa surpreende e mantém Petrobras líder

Nesta quarta-feira, 6, foi realizado o leilão dos excedentes da cessão onerosa, no Rio de Janeiro (RJ). O megaleilão do pré-sal contou com a presença de representantes do governo federal, parlamentares e empresários da indústria de petróleo e gás. O consórcio da Petrobras arrematou os blocos de Búzios e Itapu por R$ 70 bilhões. Sépia e Atapu não obtiveram ofertas de interessados. Todas as áreas participantes do leilão estão localizadas na Bacia de Santos.

Surpreendentemente, o maior leilão da história do pré-sal não despertou tanto interesse das petrolíferas estrangeiras. Os blocos arrematados, Búzios e Itapu, foram comprados pelo consórcio da Petrobras. Sépia e Atapu não obtiveram sequer um lance. Além da estatal brasileira, que detém 90% das ações, o consórcio vencedor é composto pela CNODC Brasil (5%) e a chinesa CNOOC Petroleum (5%).

“A nossa estratégia tem como único objetivo ter uma Petrobras mais forte e mais saudável, gerando enorme valor aos acionistas”, analisou Roberto Castello Branco, presidente da companhia. No total, foram arrecadados R$ 70 bilhões com a venda de excedentes da cessão onerosa, que consolidou a Petrobras como única vencedora da licitação. A expectativa do governo federal era de R$ 106 bilhões.

Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras, em pronunciamento a imprensa após o leilão da cessão onerosa

O leilão de excedentes da cessão onerosa foi realizado na manhã desta quarta-feira (6), em hotel na Barra da Tijuca, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Antes do início do certame, manifestantes se aglomeraram em frente ao local em protesto contra a venda das áreas do pré-sal. Petroleiros que estavam na parte interna do hotel foram retirados pelos seguranças instantes antes do início do leilão. “É um absurdo que nós não tenhamos o direito de manifestar pacificamente na rua”, afirmou o diretor da FNP (Federação Nacional dos Petroleiros), Celso Alves.

Petroleiros em manifestação na porta do hotel, no Rio de Janeiro (RJ)

Durante a cerimônia de abertura do megaleilão, o diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), Décio Oddone, justificou a necessidade da licitação com o que classificou como “transformar recursos em riquezas”. “O mundo está repleto de exemplos de países que não souberam transformar os seus recursos em riquezas. Nós não podíamos mais continuar repetindo os mesmos erros dos outros e os nossos próprios erros”, disse.

Décio Oddone, diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) participa do megaleilão

O ministro do Ministério de Minas e Energia (MME), Bento Albuquerque, discursou sobre as resultantes da licitação para a economia. “Poderemos alavancar a política energética, criar oportunidades para mais investimentos e gerar mais emprego e renda”, afirmou. Estimando ainda, o país como um dos maiores exportadores de petróleo no planeta. O ministro falou também sobre a importância dos leilões no âmbito sustentável. “Devemos perseverar em construir um cenário de desenvolvimento sempre em nome do interesse público e com a racionalidade e o zelo indispensável a sustentabilidade social, econômica e ambiental”, destacou.

Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia, em discurso durante cerimônia de abertura do leilão da cessão onerosa

6ª Rodada de Partilha de Produção

Nesta quinta-feira (7), no mesmo local, será realizada a 6ª Rodada de Partilha de Produção, que levará a leilão os blocos de Aram, Bumerangue, Cruzeiro do Sul, Sudoeste de Sagitário e Norte de Brava. A Petrobras manifestou interesse em direito de preferência como operadora de 30% das áreas de Aram, Sudoeste de Sagitário e Norte de Brava.

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