Estudos avaliam venda de campos na Bahia

Aos poucos, a Petrobras dá adeus à Bahia. Após colocar a refinaria do estado (RLAM) no seu programa de desinvestimento, a estatal anunciou, recentemente, a venda de 28 campos terrestres no estado. A questão é que muitos defensores da venda da RLAM alegam que o processo trará benefícios tanto para a Petrobras como para os consumidores, gerando um mercado mais dinâmico e competitivo, porém não é isso que alguns estudos apontam.

Diversos estudos apontam que, de acordo com as condições estruturais de abastecimento no Brasil, não haverá aumento da concorrência com a transferência de ativos da Petrobras para empresas privadas. Inclusive, o estudo promovido pelo Departamento de Engenharia Industrial (DEI) da PUC-RJ considera que há uma perspectiva elevada de formação de um monopólio privado na região onde a RLAM atua.

O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) aponta também um outro limitador para um aumento da concorrência no mercado de refino, que seria o perfil bastante diferenciado entre as refinarias da Petrobras. Em 2019, a produção da Lubnor se concentrou em asfalto (45%). A produção da Rlam se dividiu em óleo diesel (35%) e óleo combustível. A produção da Rnest, por sua vez, se concentrou em óleo diesel (66%) e em nafta (15%). Além disso, existem derivados somente produzidos pela Rlam, como gasolina. Ou seja, cada refinaria da Petrobras tem um mix de produção de derivados diferente, o que impediria a concorrência entre elas.

Outro ponto questionado foi que, no caso da venda dos ativos terrestres, empresas médias e pequenas alavancariam os investimentos dessas áreas. A Petrobras, inclusive, para corroborar o argumento, alegou que no mercado americano, 25% da produção está na mão dessas empresas, enquanto no Brasil apenas 5%. Porém, existe uma diferença expressiva nas condições de mercado dos dois países, tanto no aspecto histórico, como estrutural e logístico.

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