Gás e segurança: mitos e realidade

Há muitos mitos em relação ao GLP, conhecido popularmente como gás de cozinha. O mais forte e, ao mesmo tempo, com menos razão para existir é o da suposta insegurança. Equivocadamente, quando ocorrem acidentes com o uso do produto, alguns veículos de comunicação informam que a causa foi a “explosão do botijão” e a ideia de que o botijão explode acabou sendo sedimentada na cabeça do consumidor. O fato é que o botijão é seguro e não explode. A prova cabal é que ele pode ser instalado e funcionar com total segurança ao lado de um fogão aceso, proeza inimaginável para outros combustíveis. 

Como qualquer produto inflamável, o GLP requer cuidados em um grau similar aos que devem ser tomados com a rede elétrica e as tomadas que existem em uma casa. Nada diferente dos cuidados, por exemplo, que os usuários de gás natural precisam ter. Especificamente em relação aos seus concorrentes diretos, o GLP não apresenta diferenças no quesito segurança. Produtos inflamáveis requerem a observação de regras simples. Não tem embasamento técnico a afirmação, por exemplo, de que o gás natural é mais seguro que o GLP.

Quando ocorre um vazamento em um ambiente não ventilado, o GLP se espalha a partir do piso, por ser mais pesado que o ar. Com o gás natural, este se alojará nos forros de gesso, por ser mais leve que o ar. Assim, uma chama ou faísca pode provocar a explosão do ambiente, não do botijão. Em geral, os acidentes ocorrem por falhas na instalação, mangueiras, reguladores, ente outros itens, combinadas com ausência de ventilação no ambiente ou armazenamento inadequado.

Um acidente de graves proporções com gás natural, em um prédio no bairro de São Conrado, no Rio de Janeiro, há mais de um ano, teve como causa uma instalação malfeita. O vazamento de gás provocou uma forte explosão, resultando na morte de uma pessoa e em estragos significativos na estrutura do edifício, deixando os moradores impossibilitados de retornar aos seus imóveis. Outros acidentes com gás natural comprovam que a segurança do produto vai até onde as regras de instalação e de uso são respeitadas. O mesmo se dá com o GLP.

Observando-se o conjunto, o GLP oferece vantagens sobre o gás natural – essas sim reais e nada desprezíveis. Uma delas é o preço, que faz bastante diferença em tempos de crise econômica. O consumidor compra o botijão e paga exatamente por aquilo que gasta. Não há uma conta fixa. Se ele gasta mais, o gás vai durar menos tempo e, em um prazo menor, ele terá que fazer uma nova compra. Mas se ele gasta pouco ou não gasta, o gás permanece lá, disponível na sua casa, sem custos fixos mensais. Com o gás natural não é assim, existe uma conta mensal, que precisa ser paga, independentemente se há consumo ou não. Adicionalmente, ao optar pelo gás natural o consumidor fica atrelado a um único provedor, ao contrário do que ocorre com o GLP, para o qual existem mais de 65.000 pontos de venda em todo o País. Essas diferenças sim, existem e merecem ser ressaltadas.

Sergio Bandeira de Mello, presidente do Sindigás



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