Parceria entre Petrobras e chinesa visa troca de petróleo por aportes

A Petrobras negocia com a chinesa CNPC uma parceria que prevê a troca de petróleo da Bacia de Campos por aportes da empresa da China para a conclusão de obra em refinaria no Rio de Janeiro, que demandaria ao menos cerca de 3 bilhões de dólares para ser finalizada, disseram duas fontes com conhecimento do assunto.

O investimento chinês em um obra da Petrobras envolvida anteriormente no maior escândalo de corrupção do Brasil também poderá ser pago com participações da petroleira brasileira em blocos da Bacia de Campos, historicamente a mais importante região produtora de petróleo do país, mas que vem necessitando de investimentos que elevem o fator de recuperação dos campos maduros.

Um eventual investimento da CNPC poderia ajudar a estatal brasileira a finalizar a refinaria do polêmico projeto do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), alvo do escândalo de corrupção investigado pela Lava Jato, que levou ao cancelamento da unidade petroquímica idealizada inicialmente com a Braskem, controlada pela Petrobras e Odebrecht.

Se mantido o projeto original do trem 1 da refinaria, para cerca de 165 mil barris/dia, a nova unidade poderia ajudar o país a reduzir a necessidade de importações de combustíveis, que atingiram recordes no ano passado. Ao mesmo tempo, a negociação salienta o forte interesse dos chineses no setor no Brasil, que envolve investimentos em produção e acordos com a própria Petrobras de financiamentos garantidos com suprimento de petróleo.

“Vai sair o negócio, mas como o nome já diz é bem complexo. Mas será uma solução integrada”, disse uma fonte próxima das tratativas.

Não há definições nas negociações sobre qual seria a fatia da companhia da China no Comperj, onde a Petrobras investiu 13,5 bilhões de dólares, segundo declarações anteriores da empresa, que disse também que não terminaria a refinaria no local sem um parceiro.

“O que está em pauta é o seguinte: ou a Petrobras vende fatias de blocos da Bacia de Campos para os chineses ou negocia com eles o compromisso de fazer os investimentos necessários na Bacia de Campos, associando isso ao Comperj. O chinês vai pegar o petróleo dele e refinar no Comperj”, disse a fonte, na condição de anonimato.

A Petrobras já realizou baixas em valores do Comperj de mais de 6,5 bilhões de reais, desde que se aprofundaram as investigações que apontaram superfaturamento de contratos, cujos valores eram utilizados para pagamentos ilegais a políticos e ex-executivos da estatal.

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, disse no ano passado que a Petrobras negociava investimentos na refinaria com a CNPC, sócia da Petrobras e outras companhias como Shell e Total na reserva de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos.

Depois, em fevereiro, Parente evitou confirmar o nome da empresa chinesa ao comentar o assunto.

As conversas com um grupo chinês se intensificaram recentemente e um desfecho pode sair nas próximas semanas, disse uma segunda fonte.

“Está muito bem encaminhado e deve sair em breve”, disse à Reuters uma fonte do governo do Estado, que tem acompanhado ativamente as negociações.

Questionado sobre o assunto nesta quinta-feira, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, limitou-se a dizer que as negociações continuam, sem revelar a estratégia da companhia.

“Não temos um acordo fechado ainda”, disse ele, acrescentando que, por isso, não poderia dar informações complementares.

Em um evento no Rio de Janeiro para apresentar justamente uma proposta global de parcerias em refino para a Petrobras, Parente ressaltou que a refinaria do Comperj não está incluída no modelo proposto, que prevê a venda de participação de 60 por cento dos ativos no Sul e Nordeste do Brasil.

Isso porque, frisou o executivo, a unidade do Comperj ainda não produz derivados de petróleo.

“O problema do Comperj é que houve um grande investimento realizado naquela obra e ele não produz. E uma das maneiras de fazer valoração de ativos é pelo fluxo de caixa, e é uma obra que não tem fluxo de caixa.” Fonte: Diário Comércio, Indústria e Serviços.

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